domingo, 2 de outubro de 2016

☜♡☞...O AMOR E A ROTINA ...☜♡☞


Findara a cerimônia de casamento.

E os noivos,
acompanhados pelos parentes e amigos,
dirigiram-se à casa do homem mais sábio da aldeia.

Porque era essa a tradição do lugar;
e assim faziam todos os novos casais.

E ajoelharam-se perante ele,
como tantos outros já haviam feito;
e pediram a sua bênção.

No silêncio, a sua voz soou alta e clara:

“- Pediste a minha bênção;
e eu a dou, para que vos acompanhe.
Entretanto,
não basta uma bênção para fazer feliz uma união;
se assim o fosse, poucas seriam as uniões infelizes.

É do amor que necessitais.

Devereis cultivá-lo, em todos os dias,
para que continue a florir em vossos corações.

E, se assim fizerdes,
não vos devereis preocupar com os problemas da vida;
entre eles, o amor, abre o seu caminho.

Ainda que todo o mundo se levante contra vós,
sereis felizes;
porque o amor é o escudo que protege os corações.

Ainda que sejam poucas as vossas posses,
sereis felizes;
porque a plenitude do amor é a mais maravilhosa das posses e
tudo aquilo de que necessitais.

Ainda que vos busque a amargura,
sereis felizes;
porque a amargura não convive com o amor;
apenas aproveita os vossos deslizes.

E todos os males que caiam sobre vós não
serão capazes de separar-vos,
mas antes aumentarão a vossa união;
porque o amor tem as suas próprias defesas.

Assim, vencereis os grandes problemas.

Guardai-vos, apenas, das pequeninas coisas;
porque a árvore, que resiste aos raios e vendavais,
pode sucumbir ante os cupins.
E a represa, que vence a força das águas,
não resiste a uma pequenina fenda.

Acima de tudo, não vos entregueis à rotina.

Pois é ela que consegue o que todos os males
não podem conseguir.

Ao instalar-se em vossos corações,
dali desaloja o amor; que,
de hóspede de honra,
torna-se apenas albergado.

E perambula pelos cantos,
coberto com a cinza das lembranças e
tangido pelas comparações.

E, ainda que em alguns momentos possam
as antigas brasas brilhar sob essas cinzas,
isso não vos irá bastar;
porque é das suas chamas que necessitais.

Pois são elas que vos aquecem os corações.

Vigiai, portanto, as vossas atitudes.

Para que não se transforme o beijo em mero roçar de lábios,
os pequenos aborrecimentos em gestos de enfado,
o interesse em cansaço, o desejo em sono,
e as palavras de amor em expressões de desdém.

E atentai, também, para os vossos silêncios.

Porque dois tipos de silêncio podem existir
entre um homem e uma mulher:

- o de quando nada é preciso dizer

- e o de quando nada existe a ser dito.

E, se o primeiro é o ideal do amor e
o enlevo da alma enamorada,
o segundo é o sinal da sua derrocada e
o tormento de quem ama.

Assim, sede exigentes convosco;
não com as tarefas da casa,
mas com o cuidado do amor.

Pois se a partir de hoje passa a existir a vossa casa,
é em função do amor que existe em vós.

E ainda que se separem todos os seus tijolos,
sereis capazes de reconstruí-la muitas vezes,
enquanto existir o amor em vós;
mas não podereis reconstruir o vosso amor.

E nada separa tanto um casal como a vida em comum.

Cuidai-vos, portanto;
para que sejais eternos namorados.

Pois, se algum dia o amor vos abandonar,
descobrireis então como eram insignificantes
os vossos problemas.

E como era importante o vosso amor!

Calou-se o velho.

E, em silêncio,
observou os noivos que se erguiam e retornavam a caminhada,
entre a alegria dos amigos e a sua própria felicidade.

Recomeçava a eterna luta, entre o amor e a rotina.

__HASSAN__

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